quinta-feira, 6 de março de 2008

Turismo: evitar erros e buscar novas alternativas

“Aprender com o erro dos outros” é algo que oiço desde sempre.
Outros dois ditados interessantes são “só não erra quem não tenta” e “errar várias vezes é burrice”.
O tipo de turismo que se desenhou para o nosso país, ou melhor, que se improvisou, já que desenhar implica um mínimo de planeamento, é o turismo de empreendimentos verticais, que não apresentam a mínima preocupação de enquadramento com o ambiente nem atenção à vocação natural dos locais onde são implantados. Têm sido concedidas aos investidores, autorizaçoes e liberdade deconstruir grandes empreendimentos nas nossas ilhas sem que para tal seja definida uma linha a ser seguida em termos arquitectónicos ou paisagístico. De entre os vários casos recentes está o de um gigante de cimento idealizado para a Quebra Canela, segundo consta nos outdoors com cerca de 7 pisos, que irá ocupar aquele espaço que deverá ser para lazer público. Outro exemplo, recentemente apresentado na lista de empreendimentos de sucesso da Praia, é o do hotel do farol, que poe por terra a lei que regulamenta a construçao na orla maritima. Afinal quais são os criterios considerados no momento da aprovaçao destes projectos???????????????????????
O conceito de desenvolvimento turistico que está a ser posto em prática é desadequado ao perfil humano e paisagístico das nossas ilhas. Podem ser vistos em vários pontos do Brasil imensos exemplos de soluções turísticas que conjugam grandes empreendimentos hoteleiros, em perfeita harmonia com pousadas construídas por moradores destas regiões num ambiente rústico que tem sempre em consideração a preservação da natureza. Eu sempre acreditei e continuo a acreditar, que essa deveria ser uma experiência a adaptar e usar no nosso contexto.
Lembro que o pequeno empresário local pode aventurar-se em empreendimentos como restaurantes, bares, cafés, produçao e venda de artesanatos e muito mais. É fundamental que as instituições públicas vocacionadas para o turismo, ajudem estes indivíduos a trabalhar o conceito do seu negócio. É fundamental que nesta fase , em que Cabo Verde pretende afirmar-se como um destino de refência no cenário internacional, seja dado espaço a pessoas criativas, para que abundem espaços aconchegantes marcados pela simplicidade e bom gosto, e que garantam, contudo, a sofisticaçao e a qualidade encontrada nos grandes empreendimentos hoteleiros. Poder-se-a com isso criar um produto diferenciado, sofisticado e com a cara das nossas ilhas.
Para que não sejam apenas críticas, e correndo o risco de ser “águ na bindi”, pretendo partilhar sugestões e ideias .Uma imagem vale mil palavras… Vejam estas de um lugar que tive a oportunidade de visitar recentemente, JURICOACOARA, a seis horas de fortaleza, e que poderia ser uma fonte de inspiração para as instituições ligadas ao turismo e os presidentes das câmaras. Tal formato poderia ser adoptado na ilha do Maio...


1 comentário:

Djamila disse...

Nesta fase de "desenvolvimento" do país o assunto é ao mesmo tempo essencial como também complexo. A meu ver, muitos dos erros existentes reflectem um enfoque distorcido e daí não ser por acaso as aspas usadas em "desenvolvimento". O crescimento de Cabo Verde é sem dúvida notório mas não está a ser acompanhado pelo necessário desenvolvimento. Exemplos? Apregoam-se direitos mas não são discutidas as obrigações inerentes, a liberdade é entendida como fronteira da libertinagem, a formação parece estar assegurada por títulos académicos que sendo condição necessária não deveria ser suficiente, a cidadania é um conceito ainda não interiorizado e sobretudo, a aplicação de normas ou regras parece inspirar medos insondáveis... Que relação com as questões de opções estratégicas para o turismo? A meu ver a análise deve começar pelas causas e estes são os alicerces (apenas alguns)que TODOS devemos ajudar a endireitar.